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Curiosidades
Porta-estandarte, presença medieval no carnaval de Pernambuco

Porta-estandarte, presença medieval no carnaval de Pernambuco


LEONARDO DANTAS SILVA


No carnaval de Pernambuco, sobressaindo-se sobre os desfiles dos clubes de frevo, um elemento remonta às origens das corporações medievais e irmandades religiosas. Como a flutuar sobre a multidão, em evoluções sempre constantes, o estandarte é o símbolo do clube confundindo o sagrado com o profano, naquela manifestação popular que arrasta multidões pelas ruas estreitas do Recife, de Olinda ou de qualquer cidade pernambucana vivendo o período carnavalesco.
O estandarte apresenta-se em forma de bandeira retangular, cuja parte mais estreita encontra-se presa a um varão de sustentação, confeccionado em metal, que forma uma cruz ao ser sustentado por uma haste do mesmo material. Tem a dimensão que varia, por vezes 250 por 135 centímetros, e atinge a altura superior a quatro metros quando fixado ao talabarte do seu condutor.
Um estandarte chega a pesar, quando armado, de quarenta a cinqüenta quilos requerendo do porta-estandarte singular habilidade, de modo a manter o pavilhão da agremiação carnavalesca sempre no alto e em destaque sobre a multidão frevolenta que acompanha o préstito, saracoteando ao som de um frevo, executado por uma fanfarra de metais quase sempre formada por três dezenas de músicos.
Dos préstitos das irmandades religiosas e demais associações nas procissões quaresmais do Recife, surgiram os elementos integrantes dos clubes carnavalescos que, após a Abolição da escravatura negra, em 1888, ganharam força com os seus desfiles pelas ruas dos bairros centrais do Recife, Santo Antônio, São José e Boa Vista.
Além da formação do préstito propriamente dito, um dos elementos das procissões quaresmais que mais se integrou na formação do Clube Carnavalesco foi o pendão: Esta enorme bandeira, sucessora dos distintivos das corporações mesteirais da Idade Média e do Brasil Colônia, vinha sempre à frente do cortejo, empunhada por um homem forte e alto, como se fosse uma enorme vela de um barco fenício, ou galera romana, a arrastar toda uma multidão, nas festas dos padroeiros e solenidades em que participava a Câmara Municipal.
Na procissão do Senhor Bom Jesus dos Passos do Recife (cortejo cujas origens remontam ao ano de 1654), o préstito é aberto por um enorme pendão com as iniciais S.P.Q.R., “que o povo, segundo descrição de Mário Sette, traduzia por Sopa, Pão, Queijo, Rapadura e passava seguro por Rodrigão, o homem mais alto do Recife” — Antônio Leonardo Rodrigues, que com os seus 217 centímetros de altura ganhara o apelido de Rodrigão, era caixa da agência local do Banco do Brasil, vindo a falecer em 26 de fevereiro de 1915. Com sua morte o pendão foi diminuído e ainda hoje continua abrindo aquele secular cortejo religioso.
Oriundo das corporações de operários urbanos, os clubes carnavalescos surgiram impregnados de elementos comuns às procissões religiosas: O que fora proibido pelas autoridades eclesiásticas, nas procissões de Cinzas e Fogaréus, transplantou-se para a formação do clube carnavalesco, cheio de cordões de lanceiros, diabos, morcegos, damas de frente, balizas, bobos e mascarados. “Esses elementos, afirma Katarina Real, se iam integrando nos clubes carnavalescos, que lhes ofereciam um lar mais cômodo e talvez mais apropriado”.
Assim surgiram no Recife os clubes carnavalescos Vassourinhas (1889). Pás (1888). Lenhadores (1898). Toureiros de Santo Antônio (1914), Pão Duro (1916), Prato Misterioso (1919), Pão da Tarde (1931), Papagaio Falador (1943), Lavadeiras de Areias (1941), Folhas Douradas (1946), que chegaram até os nossos dias, juntamente com outros de fundação mais recente. Alguns, cujas notícias nos chegam pelos jornais, não mais existem, mas, por suas denominações, bem demonstram a origem de sua formação: Caiadores, Ciscadores, Quitandeiras, Carvoeiros, Ferreiros, Espanadores.
O desfile de um clube carnavalesco é aberto pela Diretoria, quase sempre trajando a rigor, balizas, passistas, morcegos, porta-estandarte (este ladeado pelos morcegos e por outros porta-estandartes que se revezam na condução do símbolo do clube) seguindo-se das fantasias de luxo, comissão de frente (formada pela Diretoria da Ala Feminina), dois cordões formados por homens e mulheres, quase sempre trajando igual, que fazem evolução procurando abrir a multidão para a passagem do clube. Fechando o préstito, também a exemplo das procissões religiosas, vem a orquestra constituída de saxofones, requinta, flautim, trompetes, trombones, tubas e percussão, responsável pela execução dos frevos necessários a evolução do clube e ao delírio da massa humana que acompanha o trajeto.
É o estandarte o elemento sagrado de todo o cortejo. É ele o verdadeiro símbolo do clube, funcionando como a verdadeira bandeira de um regimento militar, sendo protegido pelos morcegos, ala de porta-estandartes e Diretoria. O estandarte paira no meio da multidão, não tendo uma posição definida na formação do cortejo, ele pode vir na frente ou ficar quase junto à orquestra, mas onde quer que esteja está sempre protegido por uma espécie de guarda de honra.
É o estandarte que se curva, em reverência às autoridades e protetores da agremiação; é o estandarte que saúda, num contato rápido face a face com o outro similar, outra agremiação amiga num encontro de clubes, é o estandarte, a exemplo do pavilhão nacional, o símbolo da honra e da integridade do conjunto, muitas vezes defendido, em caso de rixa ou barulho, com o sacrifício do próprio sangue de seus defensores.
Possui o estandarte dos clubes de frevo e agremiações carnavalescas do carnaval pernambucano elementos quase sempre ligados ao barroco religioso, isso graças à formação profissional de seus artesãos ligados a irmandades e responsáveis pela confecção de paramentos para as cerimônias religiosas da igreja Católica Romana.
O Clube das Pás, por exemplo, tem o seu estandarte mais antigo, datado do início deste século, desenhado por Manoel de Matos e confeccionado pelas Monjas Beneditinas do Convento do Monte de Olinda. Feito em veludo, forrado por cetim, tendo um alcochoado de algodão, o estandarte é todo bordado com fios de ouro, com franjas e pingentes do mesmo metal, formando o desenho folhas de acanto e outros elementos característicos do barroco, além do monograma do clube, duas máscaras e uma boneca de porcelana francesa, trazida de Paris pelo alfaiate Antônio das Chagas, que por muitos anos foi porta-estandarte do clube. O atual estandarte, datado de l980, foi confeccionado por Maria do Monte com os mesmos elementos do original do início do século. Maria do Monte, antiga aluna das Monjas do Convento de Nossa Senhora do Monte (Olinda), nasceu em 12 de agosto de 1912, sendo discípula da irmã Joana Barros OSB e de Anita Oliveira, ambas falecidas, a última em 1970, iniciando-se no ofício de bordadeira confeccionando paramentos religiosos e, a partir de l945, também estandartes de clubes carnavalescos.
Já o Clube Carnavalesco Pavão Misterioso tem seu estandarte confeccionado em veludo por José de Sena Oliveira, medindo 225 x 135 centímetros, nas cores vermelho, verde e azul, acolchoado em cetim pele de lontra, sendo os seus contornos em alto relevo aplicado em pelica dourada, com várias lantejoulas e pedrarias, além de vinte e um pingentes. Neste estandarte vamos encontrar elementos da art-nouveaux e arte popular, esta última particularmente na confecção do pavão que domina o centro da peça.
O estandarte traz sempre ao centro o símbolo do clube: Um anjo tocando trombeta é a marca do Vassourinhas; a boneca das Pás Douradas; um prato de metal lembra Prato Misterioso; um trecho da Rua Prudente de Morais em Olinda é Pitombeira dos Quatro Cantos; um galo cantando no poleiro é do Galo da madrugada; um cachorro é o Cachorro do Homem Miúdo, seguindo-se vários outros exemplos.
O Clube Lenhadores do Recife, fundado em 5 de março de 1897, conseguiu um Decreto do então Governador Sigismundo Gonçalves, segundo a tradição, a autorização de usar em seus estandartes as armas do Estado de Pernambuco.
A exemplo dos clubes de frevo, outras agremiações carnavalescas de Pernambuco passaram a adotar o estandarte dentro do simbolismo de cada uma delas. Assim, aconteceu com os Maracatus, estes anteriores ao clubes de frevo com suas origens remontando as coroações dos reis e rainhas de nações africanas, que dominam o estandarte de pavilhão e o condutor de embaixador:

Segue Embaixador
Me amostre o siná
A nossa bandeira
É nacioná
Eu vou pra Luanda
Buscá miçanga
E saramundá
................................

Também os Caboclinhos, tribos de índios que saem durante o carnaval, adotaram o estandarte com suas insígnias, o mesmo acontecendo com o Reisado Imperial, com a La Ursa e as troças que são clubes de frevo menores que saem durante o dia.
O condutor do pavilhão da agremiação tem o nome de porta-estandarte, com exceção do maracatu onde ele é chamado de embaixador. É ele responsável pela coreografia e guarda do símbolo sagrado da agremiação, trajando, juntamente com os demais porta-estandartes (o número chega até seis), trajes à Luiz XV, com peruca branca, ou loura, camisa de punhos de renda e babados, jaqueta de cetim ricamente bordada com pedrarias e fios de ouro, pantalona de veludo presa no joelho, meias finas de seda, sapatos de verniz com entrada baixa e fivelas douradas, com pedrarias aplicadas, luvas, lenços de seda, trazendo o talabarte apoiado num dos ombros e cruzando sobre o peito um grosso cinturão de couro, forrado de lã, que termina na caixeta de metal onde se apóia o varão do estandarte.
Seus passos, sempre ao compasso dos frevos emanados da fanfarra, são característicos de sua função dentro do cortejo. Quase nunca retira o varão da caixeta e não é dado às acrobacias próprias do passista. Sua coreografia lembra mais o minueto, a valsa e outras danças de salão do século XIX, procurando sempre dar graça ao distintivo da agremiação de que flutua sobre a multidão frevolenta.
Os porta-estandartes têm sempre seus nomes ligados aos clubes e agremiações carnavalescas, alguns, dele fizeram escola como Manuel José de Oliveira e João de Emília (Vassourinhas), Biu de Henriqueta (Cachorro do Homem do Miúdo), Macaco (Pitombeira dos Quatro Cantos), Boêmio e Manuel do Nascimento Costa, o Papai (Pás Douradas).
Nos dias atuais despontam Fernando (Pás Douradas, Abanadores do Arruda e O Galo da Madrugada) e Genival (Pão Duro e Folhas Douradas), que são continuadores desta tradição medieval no carnaval pernambucano.












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